Simples Nacional em 2026: a decisão de setembro que vai definir seus impostos em 2027
- Francis Mendes

- 24 de jul.
- 2 min de leitura
A Reforma Tributária mantém o Simples, mas cria uma escolha nova e estratégica para o IBS e a CBS. Entender isso antes de setembro pode fazer diferença no seu caixa.

Uma dúvida comum entre os empresários do Simples Nacional é: “com a Reforma Tributária, o Simples acaba?”. A resposta é não. A Lei Complementar 214/2025 manteve o Simples Nacional como regime para as pequenas empresas. O que muda é que agora surge uma decisão nova sobre como os novos tributos (IBS e CBS) serão recolhidos — e essa escolha precisa ser feita com atenção.
A escolha que aparece em 2026
Durante o mês de setembro de 2026, as empresas do Simples precisarão decidir, com efeitos a partir de 2027, entre dois caminhos para o IBS e a CBS: manter esses tributos dentro do DAS (a guia única do Simples, do jeito que você já conhece) ou recolhê-los por fora, pelo regime regular do IBS e da CBS.
Na primeira opção, tudo continua simples: um documento único de arrecadação, com o novo tributo embutido. Na segunda, a empresa continua no Simples para os demais tributos, mas apura e paga o IBS e a CBS separadamente, seguindo as mesmas regras das empresas maiores.
Por que essa escolha importa tanto: a questão do crédito
A grande diferença entre os dois caminhos está no crédito tributário que sua empresa consegue repassar aos clientes. No novo modelo, quando uma empresa compra de outra, ela aproveita como crédito o imposto que veio na nota. Se a sua empresa fica “dentro do DAS”, o crédito que seus clientes conseguem aproveitar tende a ser mais limitado. Se você opta pelo regime regular, seus clientes empresariais podem aproveitar o crédito cheio — o que pode tornar seu negócio mais competitivo para vender a outras empresas.
Como saber qual caminho é melhor para você
Não existe resposta única, e aqui está o ponto mais importante: a decisão não se resume a comparar alíquotas. O que costuma pesar mais é o perfil dos seus clientes e fornecedores:
Se você vende principalmente para o consumidor final (pessoas físicas), o crédito importa menos, e permanecer dentro do DAS costuma manter a simplicidade sem perdas.
Se você vende principalmente para outras empresas (mercado B2B), o crédito pode ser decisivo, e o regime regular pode deixar sua empresa mais atraente para esses clientes.
O tipo dos seus fornecedores e a forma como você compra também entram na conta.
Vale lembrar que a escolha tem janelas definidas: a decisão de setembro de 2026 vale para 2027, e o modelo prevê novos pontos de opção ao longo do tempo. Ou seja, não é uma decisão eterna, mas a primeira escolha precisa ser bem feita.
Nosso papel, como seu escritório de contabilidade, é analisar o seu caso concreto — seus clientes, suas margens e sua cadeia de fornecedores — e mostrar, com números, qual caminho protege melhor o seu resultado. O ideal é fazer essa conta antes de setembro, com calma, e não no aperto do prazo.


Comentários